segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O desespero com a alta do dólar é uma falácia midiática

por Otávio Ventura 


É notável o bombardeio midiático sobre “como o dólar está alto”. O discurso mais comum tem sido aquele que compara a cotação atual do dólar com a dos últimos anos, a exemplo da manchete “Dólar chega de novo ao maior nível em 12 anos”, veiculada pela Globo em 05-08-2015 por meio do seu Jornal Nacional.
(...) 
Mas, como bem apontaram Rodolpho Gamberini, há poucos dias, e Luis Nassif, há alguns meses, o que a grande mídia geralmente não revela é que a cotação que ela costuma usar em suas comparações cambiais é a nominal, ou seja, aquela que não considera a inflação. E isso faz toda a diferença.
Abaixo temos a inflação anual média dos últimos mandatos presidenciais, bem como a projeção da inflação para 2015:
dólar grafico 01                                                            Elaboração própria. Fonte: IPCA/IBGE

(...)
O dólar vale menos hoje do que em 1995
Em 1995, o dólar podia ser comprado a R$1, a preços da época. Em termos reais, esse R$1 de 1995 equivale a R$4 de 2015. Isso quer dizer que o dólar valia em 1995 o mesmo que R$4 valem em 2015.
A seguir temos a comparação entre a variação nominal e real da cotação do dólar:
dólar grafico 02                                 Elaboração própria. Fontes: IPCA/IBGE e Banco Central

A preços de 2015, o dólar valia cerca de R$4 em 1995, disparou a quase R$8 em 2002, recuou para perto de R$2 em 2010 e atualmente está na casa dos R$3,50. Sob a ótica real, é fácil perceber que o mantra midiático de que a cotação atual do dólar é “a mais alta em 12 anos” é pura falácia. Em termos reais, o dólar vale menos hoje do que valia em 1995. Sim, 1995, aquela época em que o dólar era “tão barato”. E se hoje o dólar estivesse tão caro quanto esteve em 2002, ele estaria valendo cerca de R$8.
Não se deixe enganar, estamos muito distantes disso.
Leia a íntegra do artigo de Otávio Ventura (mestrando em Ciência Política pela UnB e membro da carreira federal de Planejamento e Orçamento), publicado em 08/08/2015 na edição 862 do Obervatório da Imprensa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário